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O que fazer quando a cliente não tem dinheiro para continuar o tratamento estético?

Essa é uma das dúvidas mais comuns entre as profissionais de estética: como se posicionar quando a cliente procura um orçamento para o tratamento que precisa, mas diz que não tem dinheiro para investir?

A profissional fica dividida, sem saber como ajudar.

Eu já passei por situações assim, e quero compartilhar com você o que aprendi e como lidei com esses momentos.

Antes de tudo, entenda a real situação

Existem duas situações bem diferentes, e é importante saber distingui-las.

A primeira é uma objeção comum de vendas. A cliente diz que não tem dinheiro, mas, na verdade, ainda não percebeu o valor do tratamento ou está insegura. Sobre isso, inclusive, eu tenho uma aula no Estética Club, porque é algo que precisa ser estudado com atenção.

A segunda situação é quando a cliente realmente não tem condições financeiras. E aí, o cuidado precisa ser outro.

Saber diferenciar esses dois casos é fundamental para evitar frustrações. Já aconteceu comigo de fazer tratamento com valor social para uma cliente que dizia que não podia pagar, mas que depois aparecia em rodízio japonês, postando viagens ou compras, enquanto eu estava com dificuldade financeira, tentando ajudar. A verdade é que ela só queria um desconto.

Por outro lado, também tive muitas clientes que queriam muito cuidar da pele, mas não podiam pagar no momento. E com essas, valeu a pena adaptar e caminhar juntas.

Claro que você não tem como acessar a conta da cliente, mas é possível perceber. Faça perguntas abertas, escute com atenção, observe os sinais. Se perceber que ela realmente não pode pagar, você pode oferecer um plano mais simples e eficiente, sem se prejudicar.

E se for para escolher entre a sessão na clínica ou o tratamento em casa, minha sugestão é clara: escolha o que a cliente consegue fazer.

Escolha o que for melhor para a cliente

Se a cliente tem melasma ou acne e não pode fazer tudo ao mesmo tempo, dê prioridade ao home care. Os produtos serão aplicados todos os dias, mantendo a pele ativa no processo de tratamento.

Muitas vezes, fazer sessão uma vez por semana sem usar nada em casa não traz resultado. No caso do melasma, por exemplo, os ativos clareadores precisam ser usados diariamente para controlar a produção de melanina.

Nesse caso, a cliente pode vir uma vez por mês e, no intervalo, seguir à risca o tratamento em casa. Você acompanha, orienta e ajusta conforme necessário.

Por isso é tão importante que a profissional tenha, ao menos, um pequeno estoque de home care de qualidade no seu espaço.

O cuidado correto em casa também dá resultado

Sim, o ideal seria fazer sessões semanais e usar o home care. Mas se isso não for possível, é melhor usar o produto todo dia e fazer a sessão uma vez por mês ou a cada dois meses do que simplesmente abandonar o tratamento.

A longo prazo, essa constância faz diferença.

Eu já realizei mais de 6 mil atendimentos, e muitas clientes seguiram dessa forma. Com paciência, alcançamos ótimos resultados. O importante é que a cliente entenda que o que ela paga não é apenas o produto ou a sessão: é também o seu olhar técnico, sua orientação e todo o conhecimento que você traz para o tratamento (além de todo investimento que você tem que fazer para poder atender).

E quando a cliente não tem condição de pagar nada?

Essa é uma realidade para muitas profissionais que atuam em regiões mais simples. Se a cliente não tem condição de pagar nem a sessão, nem o home care, é uma situação mais delicada.

Se for uma pessoa que realmente precisa e você sentir no coração que pode ajudar, pode sim oferecer um atendimento social, por valor simbólico ou até gratuito. Eu já fiz muitos assim e foram experiências muito gratificantes.

Mas é importante filtrar com sabedoria. Infelizmente, existem pessoas que dizem não ter dinheiro, mas fazem outras escolhas. Se for para ajudar, que seja para quem realmente precisa.

A ação social precisa ser possível para você

O mais importante é lembrar que, quando a cliente não paga e você se compromete a atender mesmo assim, quem está pagando é você.

A estética é feita com muito amor, mas também tem custos. Produtos, tempo, energia, estrutura: tudo isso tem um valor. E, especialmente no início da carreira, nem sempre é possível bancar isso sozinha.

Por isso, ajude quando puder, com consciência. E se não puder, oriente com carinho e deixe a porta aberta para ela voltar quando for possível. Isso também é cuidar.

Não queira resolver todos os problemas do mundo. Faça o que estiver ao seu alcance e foque em construir sua carreira com solidez, com base firme.

Afinal, ninguém consegue dar carona… indo a pé.

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